Logo depois de assistirem entre indignados e chocados as chamas consumirem o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, um edifício histórico secular que abrigava um acervo de valor cultural e científico, uma equipe de voluntários entendeu que era hora de partir para a ação. Assim, somaram esforços para promover o evento “Um Brinde ao Museu” que promete discutir o papel e a relevância dos espaços museológicos para o desenvolvimento científico. O brinde será associado ao Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento, comemorado internacionalmente em 10 de novembro e que, em 2018, tem como tema “Ciência, um Direito Humano”, um mote apropriado, porque, afinal, este ano, a Declaração Universal dos Direitos do Homem comemora 70 anos.

Vitor Abdala/Agência Brasil

Discussões levantadas depois do incêndio do Museu Nacional devem estimular reflexões sobre preservação do patrimônio material e imaterial

Oito cidades do país – Araraquara (SP), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Diamantina (MG), Marabá (PA) e São Carlos (SP) – vão promover atividades públicas e gratuitas para debater como produzir e preservar conhecimento a partir dos museus.

“Quando estamos em um museu, refletimos sobre o conhecimento que a humanidade acumulou. Essa reflexão abre possibilidades: valorizar mais o patrimônio; ampliar a consciência sobre os fatos marcantes da trajetória do universo; desenvolver pensamento crítico a respeito dos conhecimentos que foram gerados pela humanidade e nos permitiram ser quem somos, entre outros”, defende uma das organizadoras do Brinde ao Museu, a jornalista Denise Casatti, analista de comunicação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (IMCM/USP), em São Carlos, doutoranda em psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Cada local preparou uma programação especial, que vão de bate-papo entre pesquisadores e a comunidade da região até visitas guiadas pelos museus, passando por lançamento de livro e feira de ciências. Sempre com a ideia de valorizar os museus como centros de criação e acolhimento do saber. “Quando vislumbramos a relevância do conhecimento produzido por esses “outros” seres humanos em seus mais diversos contextos, temos a chance de construir um Brasil mais tolerante, que sabe valorizar não só as evidências científicas produzidas em cada época, como também os demais tipos de conhecimento que somos capazes de criar”, sugere Denise.

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A maioria das atividades acontecerá no sábado, 10 de novembro, ou em dias próximos, 7 e 9 de novembro, por exemplo. No Rio de Janeiro, Campos de Goytacazes terá atividades especiais. A participação da cidade não é à toa. “Revisitando o passado, aprendemos com nossos erros e nos orgulhamos das nossas vitórias. Campos dos Goytacazes é uma cidade histórica. Viveu o ciclo da cana-de-açúcar. Foi a primeira cidade a ter luz elétrica no país. E recebeu a Casa de Cultura Villa Maria de presente. Finazinha, uma mulher visionária, deixou em testamento este espaço para a primeira universidade a se instalar no município. Olha quanta riqueza!”, festeja Aline Chaves Intorne, professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e uma das organizadoras do evento na edição fluminense. Por ali, a ideia é levar crianças de escolas municipais para a Casa de Cultura e apresentar a elas o que a ciência brasileira tem produzido.

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Para conferir a programação do evento, basta acessar o site do Um brinde ao museu, clicar em programação e escolher o município. Os eventos são gratuitos e abertos aos interessados e as crianças são muito bem vindas.

 

A imagem que abre essa reportagem é do Museu Mario Tolentino, em São Carlos, um dos locais que terão atividades no evento “Um brinde ao museu”