Brasil ajuda Equador a implantar plataforma on-line sobre a biodiversidade

Pamela Gouveia | 16 de setembro de 2016
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Muitos de nós não sabe, mas o Equador é dono da maior biodiversidade por quilômetro quadrado do mundo. Apesar de ser reconhecido mundialmente por sua vasta riqueza florística, sua biodiversidade é pouco conhecida e enfrenta constante ameaça. O país ainda não possui uma plataforma on-line que reúna e disponibilize dados sobre sua rica fauna e flora.

A experiência brasileira com a implantação do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), lançado em 2014, é um dos pilares de um acordo de cooperação triangular, entre Alemanha, Brasil e Equador, que que pretende inverter esta situação. Pela iniciativa, o Brasil irá fornecer assessoria técnica para que o Instituto Nacional de Biodiversidade do Equador (INB) fortaleça sua capacidade técnico-científica para a pesquisa e a inovação na gestão da sua biodiversidade.

“Ao implementar o SiBBr enfrentamos realidades e necessidades muito similares aos desafios enfrentados hoje pelo INB. Na época, contamos com a experiência da Colômbia e do Canadá que nos ajudaram no processo. Agora é a vez do Brasil  contribuir com o Equador”, afirma a diretora do SiBBr, Andrea Portela Nunes, coordenadora-geral de Gestão de Ecossistemas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). “Esse tipo de cooperação também nos beneficia muito, pois com o intercâmbio de técnicos aprimoramos também as iniciativas nacionais de gestão e conhecimento da biodiversidade brasileira.”

O projeto de cooperação foi assinado pelos três países em junho e em breve realizará sua primeira missão técnica, levando técnicos brasileiros para visitar o INB, sediado em Quito. A missão será avaliar a infraestrutura instalada, a capacidade técnica da equipe, a sustentabilidade financeira e outros aspectos.

A avaliação servirá de base para a detalhamento do plano de trabalho até junho de 2018, período previsto para o encerramento do acordo. Durante a visita ao Equador, o Brasil também realizará um workshop sobre temas como integração de coleções e monitoramento de dados.

Pelo acordo, o MCTIC irá também prover treinamentos ao Equador em protocolos padronizados de inventário e monitoramento da biodiversidade desenvolvidos por programas ligados ao Ministério. Até dezembro de 2017, pelo menos doze profissionais da equipe técnica-científica do INB devem estar treinados em protocolos de amostragem de biodiversidade (inventários biológicos) e técnicas de monitoramento de espécies. Ao exportar seu conhecimento na área, o Brasil segue sua consolidação como referência regional em estudos e pesquisas focados no conhecimento da biodiversidade e, consequentemente, na sua conservação.

Da parte da Alemanha, além da GIZ, que junto com as contrapartes brasileiras e equatorianas participa na coordenação e monitoramento do projeto e facilita as atividades de intercâmbio, estão envolvidos no projeto o Museu de História Natural de Bonn, a Universidade Humbolt de Berlim e a Universidade de Marburgo.

Entre os principais objetivos do Equador no acordo está a criação de um banco de dados digital que reúna informações sobre flora e fauna que possam auxiliar no conhecimento da dinâmica dos recursos naturais e no desenvolvimento de estratégias de conservação da biodiversidade.

“Esperamos que o acordo de cooperação impulsione a pesquisa e difusão de conhecimento sobre biodiversidade da América do Sul, fortalecendo o intercâmbio de informações não só entre Brasil e Equador mas entre todos os países da região que possuem diversos biomas compartilhados”, finaliza Andrea.

Biodiversidade Equatoriana

Localizado em uma região neotropical, o Equador é considerado um dos 17 países megadiversos e abriga a maior biodiversidade por quilômetro quadrado do mundo. A presença dos Andes e a influência das correntes do oceano em suas costas proporcionam zonas naturais geográficas bem definidas.

São 26 tipos de habitats distintos, com diferentes níveis de altitude e precipitação, incluindo a Floresta Amazônica, com o mais alto índice de biodiversidade do planeta, e as Ilhas Galápagos, com um sistema ecológico autossuficiente e um alto grau de endemismo biológico.

 

Com informações de http://www.sibbr.gov.br/



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