Cientistas da Universidade Columbia, nos EUA, descobriram que a enzima de uma bactéria presente no intestino humano pode transformar sangue tipo A em sangue tipo O, de acordo com notícia publicada na revista Newscientist.

Existem quatro tipos de sangue humano: A, AB, B e O. Os glóbulos vermelhos são basicamente iguais em todos os tipos, mas têm diferentes açúcares em sua superfície – o tipo A tem um conjunto específico de açúcares, o tipo B tem outro, o tipo AB tem os dois e o tipo O não tem conjunto de açúcares. Esses açúcares funcionam como antígenos, ou seja, se o sistema imunológico não os reconhecer, vai atacar as células às quais estão associados, causando reação adversa e potencialmente fatal. Por não ter açúcares, o tipo O é conhecido como “doador universal”.

Cientes de que os mesmos açúcares presentes nos glóbulos vermelhos são produzidos na parede intestinal, os pesquisadores procuraram, em bactérias presentes em fezes humanas, enzimas que decompusessem esses açúcares. Eles então extraíram sequências genéticas de enzimas bacterianas, implantaram na bactéria Escherichia coli para observação e descobriram uma família de enzimas que ajudam a extrair açúcar de uma proteína chamada mucina, que cobre a parede intestinal. Ao combinarem essas enzimas com o sangue tipo A, viram que os açúcares eram removidos das células sanguíneas, resultando em sangue tipo O. Esse processo é 30 vezes mais rápido do que um processo similar, com outras enzimas, testado anteriormente.

O sangue tipo A pode ainda ter outro antígeno, conhecido como fator Rh, que não tem a ver com açúcar, portanto a descoberta da Columbia se aplica apenas ao sangue tipo A com Rh negativo. Embora ainda vá passar por muitos testes, o processo é promissor e poderá salvar vidas de pacientes que precisem de transfusão.