Arqueólogos encontram primeiros registros dos companheiros dos humanos: o cão e o vinho

Ciência na rua | 24 de novembro de 2017

 

Divulgação/Folha de São PauloRepresentação de gazelas e cachorros numa caçada

Representação de gazelas e cachorros numa caçada

 

Para o jornal Folha de São Paulo, o jornalista Reinaldo José Lopes trouxe duas notícias com cara de sexta feira. A primeira dá conta de evidências dos primeiros cachorros domesticados pelos humanos. Nas imagens que a reportagem apresenta, fica bem claro que os peludos já eram nossos amigões há 8 mil ou 9 mil anos atrás.

Veja aqui um bom trecho da matéria que saiu hoje, 24/11, e, no final o link para o site do jornal (mas a matéria completa só fica disponível para assinantes).

“Dois sítios arqueológicos da Arábia Saudita abrigam intrigantes gravuras rupestres que são, possivelmente, as mais antigas imagens de cães domésticos da Terra –e também os primeiros registros do uso de coleiras e da parceria entre homens e cachorros para caçar animais selvagens. Um estudo detalhado sobre as gravuras acaba de ser publicado na revista científica Journal of Anthropological Archaeology.
Maria Guagnin e Angela Perri, pesquisadoras do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista (ambos na Alemanha), estimam que os desenhos tenham sido feitos na rocha entre 9.000 e 8.000 anos atrás.

Divulgação/ Folha de São PauloRepresentação de uma matilha

Representação de uma matilha

“Ossos de antigos cães nem de longe são capazes de contar o que essas imagens contam”, declarou Perri à revista Science. “É a coisa mais próxima de um vídeo do YouTube daquela época.”
Quando as gravuras rupestres foram feitas, durante os primeiros milênios do Holoceno (fase da história geológica da Terra na qual ainda estamos), o interior saudita era consideravelmente mais úmido do que hoje, com cobertura vegetal relativamente luxuriante.
Assim, no oásis de Jubbah havia um conjunto de lagos permanentes, que chegaram a permitir o estabelecimento de rebanhos bovinos. Já em Shuwaymis, o outro local estudado, havia rios temporários que, durante a estação chuvosa, eram margeados por boas pastagens. Existe uma distância de cerca de 200 km entre os sítios, ambos localizados no noroeste da Arábia Saudita”. Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

Georgian National MuseumDentro desse vaso acharam vestígios da bebida

Dentro desse vaso acharam vestígios da bebida

A segunda reportagem de Lopes também é alegre e com pinta de celebração. Desta feita, conta como cientistas encontraram provas de que o ser humano já consumia vinho há mais de 6 mil anos e num lugar bem diferente dos países que chamam para si a responsabilidade de fazer os melhores vinhos do mundo, como França e Itália.

Aqui, a matéria da Folha de São Paulo de hoje:

“Esqueça a França, a Itália ou mesmo Portugal. O berço do vinho –ou, pelo menos, o lugar do planeta onde foram achadas as mais antigas evidências arqueológicas da bebida– é a Geórgia, o pequeno país entre as montanhas do Cáucaso e o mar Negro no qual a Europa e a Ásia se encontram desde a Antiguidade.
As revelações sobre o antigo vinho da Geórgia são basicamente uma questão de química. Recipientes de cerâmica produzidos por volta do ano 6.000 a.C., achados a cerca de 50 km de Tbilisi, capital do país, contêm resquícios de substâncias –principalmente ácido tartárico, ácido succínico e ácido cítrico– que sugerem fortemente o armazenamento da bebida lá dentro.
A pesquisa, publicada recentemente no periódico científico “Pnas”, da Academia de Ciências dos EUA, foi coordenada por David Lordkipanidze, pesquisador do Museu Nacional Georgiano mais conhecido por estudar os hominídeos (ancestrais do ser humano) de quase 2 milhões de anos da região.
Os restos de vinho descobertos por Lordkipanidze e seus colegas são pelo menos 500 anos mais antigos que os recordistas anteriores, que tinham sido achados no Irã.
Além de realizar a análise química, os arqueólogos também identificaram antigas sementes de uva e verificaram que os grandes vasos nos quais o líquido era guardado eram adornados com desenhos estilizados que provavelmente representam os cachos da fruta. O formato dos recipientes –muito compridos e com bases estreitas– sugere que eles ficavam enterrados enquanto a bebida ia fermentando.
Se a Geórgia parece uma localização relativamente obscura para a origem de uma prática que acabou se tornando uma das grandes paixões globais, convém lembrar que, para começo de conversa, o ambiente da região onde os jarros foram achados –suavemente montanhoso e seco– parece ser o ideal para o crescimento das parreiras.
Além disso, a posição geográfica georgiana favoreceria tanto o espalhamento da técnica para o oeste, em direção aos países da bacia do Mediterrâneo, quando para o leste, no rumo da Mesopotâmia, do Irã e da Ásia Central.
O hábito de consumir bebidas alcoólicas feitas com suco de uva fermentado também existia na China pré-histórica (a partir de 9.000 anos atrás), mas, por lá, o resultado não era vinho puro, mas uma espécie de coquetel que também misturava outras frutas, cerveja de arroz e hidromel.”



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