Em meados de março, a Universidade Estadual Paulista (UNESP) anunciou que uma equipe de professores e pesquisadores levaria ao Fórum Mundial da Água, realizado nos dias 21 a 23, em Brasília, o jogo digital Aventuras nas águas.

Aventuras na água/Unesp

O jogo desenvolvido pela equipe da Unesp tem três fases e quadrinhos entre elas

O game trata de cuidados e sustentabilidade no uso das águas e, de quebra, aborda doenças transmitidas por água contaminada, poluição e equívocos que gente comum comete no manejo da água.

Com três fases distintas, o jogo é costurado por histórias em quadrinho com personagens inventados só para essa finalidade.

O público de Aventura nas águas é parecido com o do Ciência na rua, por isso ficamos curiosos para saber o que os jovens achavam do jogo e qual o impacto que ele causaria. Procuramos, com a concordância da Universidade, adolescentes de 14 a 17 anos e enviamos a 25 deles o link da matéria sobre o game (esta aqui). Propusemos, então, seis perguntas:

1. Você acessou o game?
2. Achou o game fácil ou difícil?
3. Jogaria espontaneamente?
4. Fez você parar para pensar nas questões da preservação das águas?
5. O game lembra o conteúdo de alguma matéria da escola?
6. Aprendeu algo novo com esse game?

Os entrevistados eram 17 meninas e 8 meninos, dos quais seis são estudantes de escolas públicas e 19, de escolas particulares. Do total, 16 alunos moram na capital paulista; dois vivem em São José dos Campos; um vive em Atibaia; um é habitante de Santos – todos esses no estado de São Paulo. Dois entrevistados são da cidade do Rio de Janeiro, outros dois são de Vitória/ES e um de Brasília/DF.

Eles receberam a mensagem por inbox no Facebook, por WhatsApp, por inbox no Instagram, ou por e-mail, de forma equilibrada. Do total de adolescentes alcançados, 44% responderam (11).

A bióloga Carolina Buso Dornfeld, professora da Unesp – Campus de Ilha Solteira e coordenadora da equipe que desenvolveu o game, gostou de receber as respostas enviadas pelos adolescentes ao Ciência na rua. Meses antes, os pesquisadores tinham acompanhado a recepção do jogo Aventura nas águas em escolas de Bauru, Ilha Solteira e São Vicente. “A diferença em relação ao processo que tínhamos desenvolvido é que os resultados que nós colhemos aconteceram em ambiente escolar, de forma orientada. E Saber o que eles pensam de forma espontânea, como vocês coletaram é importante”, disse.

De forma geral, tanto nas escolas quanto com os adolescentes do Ciência na rua, o game foi bem recebido. Os meninos e meninas acharam fácil jogar. Os alunos entrevistados pela equipe da Unesp não deram muita bola para os quadrinhos E pulavam imediatamente. E tanto um grupo quanto o outro indicaram que o jogo seria melhor aproveitado por estudantes de, no máximo, 14 anos. “Para atingir um público mais velho, de 14 a 17 anos, sugiro que o game tenha desafios e vídeos”, palpitou um entrevistado do Ciência na rua de uma escola pública da capital paulista.

Carolina Dornfeld achou legal quando soube que entre os alunos ouvidos pelo Ciência na rua, 23% responderam que o game faz sim pensar na preservação e cuidado com as águas. Em suas respostas, lembraram do descuido com que se trata a água, de como poças podem ser moradia para o mosquito da dengue, recordaram os bons e maus usos da água e as doenças transmitidas por água contaminada.

Apesar de se apoiar no currículo das escolas paulistas, Aventura nas águas também sensibilizou estudantes de outros lugares. Uma aluna de Brasília, por exemplo, lembrou imediatamente do projeto das escolas públicas do Distrito Federal para todo o primeiro bimestre letivo, que foi justamente o cuidado com as águas e a proliferação de doenças via mosquitos. “Procuramos ir além do conteúdo curricular de São Paulo e, pelo visto, conseguimos”, comemora a professora da Unesp.

De qualquer forma, os conteúdos escolares foram relembrados e mencionados pelos nossos adolescentes. Cerca de 20% deles responderam que o game lembra assuntos aprendidos na escola. Apontam em especial as aulas de biologia ou ciências.

Arquivo pessoal

Bióloga, professora da Unesp, e coordenadora da equipe que fez Aventura na águas

Carolina Dornfeld achou muito interessante que os entrevistados do Ciência na rua disseram ter relembrado tópicos que eles mesmos acham importantes: a conscientização para os problemas ligados à água e o combate ao desperdício.

Mais ainda, garantem que aprenderam conteúdos novos com o game, como doenças de veiculação hídrica; proliferação de mosquitos em água parada, e que aquilo que faz no dia a dia é prejudicial à saúde das águas.

Os planos da equipe da Unesp são melhorar o jogo digital em termos – por exemplo, fazê-lo funcionar em celular Android e IOS – e aumentar a quantidade de fases. “Mas isso só quando conseguirmos outro financiamento, como esse da Agência Nacional das Águas, para prosseguir. Outra ideia é desenvolver um site para hospedar tudo que pesquisamos e produzimos na Unesp de Ilha Solteira em relação às águas”, completa. “Quando acontecer, vamos chamar os adolescentes do Ciência na rua de novo”, brinca Carolina.