Nasa/ Agência Espacial Norte-America

A colisão de dois buracos negros

O ano de 2017 está terminando e vale a pena fazer uma retrospectiva da produção científica mundial. A BBC publicou há alguns dias, uma lista com sete eventos e descobertas que sacudiram o cenário científico e que merecem uma refrescada na memória.

Esta aqui é a sugestão da agência de notícias. Veja se você concorda, se colocaria outros grandes momentos ou se retiraria algum do hall da fama.

1. Colisão de estrelas confirma previsão de Einstein

PA

A colisão aconteceu há 130 milhões de anos, mas só agora pode demonstrar a teoria formulada por Einstein há mais de um século

O ano de 2017 será lembrado pela comprovação da existência das ondas gravitacionais propostas pelo físico alemão Albert Einstein, em sua Teoria Geral da Relatividade. O feito foi tão substancioso para a comunidade científica que levou a revista Science, uma das mais respeitadas do meio, a escolhê-lo como a “Descoberta científica do ano”.
“A explosão confirmou vários modelos-chave da astrofísica, revelou como surgiram vários elementos pesados e testou a Teoria da Relatividade (de Einstein) como nunca antes”. Foi assim que a Science justificou a escolha do evento como o mais importante do ano.
Em agosto, os cientistas do Observatório Europeu de Gravidade (EGO), em Cascina, na Itália, anunciaram que haviam detectado ondas com massa cerca de 53 vezes maior que o Sol. O evento aconteceu a 1,8 bilhão de anos-luz da Terra, pela fusão de dois buracos negros gigantes.
Essa foi a primeira vez que uma observação com esse valor foi feita fora dos Estados Unidos. Antes, os observatórios Ligo (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), nos Estados Unidos, já tinham feito três detecções de ondas gravitacionais.
Uma delas, a partir da colisão de de estrelas de nêutrons, na constelação de Hidra. E choques como esse são os responsáveis pelo aparecimento de materiais como ouro e platina no nosso universo. Tem mais: as estrelas de nêutron são tão densas que uma colher de chá da substância que forma uma delas pesaria algo em orno de um bilhão de toneladas.
A comunidade científica entende que estamos diante do início de um novo ramo da astronomia, que pode usar ondas gravitacionais para coletar dados sobre fenômenos distantes

2. O mergulho final da Cassini

NASA/ JPL-Calte

Durante seu último mergulho em Saturno, a Cassini ainda conseguiu enviar imagens para a Terra

A sonda Cassini chegou às proximidades de Saturno em 2004. Nos 13 anos em que esteve ativa, os dados coletados por ela revolucionaram o que sabemos sobre o planeta dos anéis e suas luas.
Cassini descobriu gêiseres espirrando água de um oceano subterrâneo no satélite gelado Encélado, revelou mares e lagos de metano na maior lua de Saturno, Titã, e flagrou uma tempestade que circundou o planeta.
No entanto, a sonda começou a ficar sem combustível e a Nasa, que controla o aparelho, decidiu que era hora de destruir o satélite na atmosfera de Saturno. A ideia era evitar uma colisão com uma das luas, por exemplo, e, assim, uma possível contaminação do local com micróbios terrestres.
Foi assim que no dia 15 de setembro, a Cassini mergulhou nas nuvens de Saturno e se desfez inteiramente. Como uma kamikaze, e ainda conseguiu mandar dados durante seus últimos momentos.
Há relatos de que os cientistas da Nasa acompanharam a destruição com lágrimas nos olhos.

3. Um iceberg gigante se forma

Copernicus Sentinel 1 Data/Bas

A imagem impressionante mostra uma rachadura na plataforma de gelo Larsen C, na Antártida. Momentos depois, o bloco se solta e vira um gigantesco iceberg. O processo todo durou 10 anos e vinha sendo observado por cientistas.
Para dar uma noção da grandeza do evento, o bloco de gelo cobria uma área de cerca de 6 mil km² – e representava cerca de 12% da plataforma Larsen C.
“A formação de icebergs das bordas de plataformas de gelo é comum. No entanto, os pesquisadores dizem que a Larsen C está, agora, em seu menor tamanho desde o fim da última Era do Gelo, há cerca de 11.700 anos. Ainda será preciso estudá-la mais para entender como a plataforma está respondendo ao aquecimento global”, informa a BBC.
O futuro da plataforma restante também é incerto. Existe até a chance de liberar geleiras com água suficiente para aumentar os níveis globais dos oceanos em um centímetro.

4. Edição genética contra doenças

OHSU

Embriões humanos foram modificados pela primeira vez com uma nova técnica de edição genética diferente da já conhecida CRISPR, usada na imagem acima

“Pela primeira vez na história, uma equipe de cientistas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul conseguiu corrigir, em embriões humanos, um gene defeituoso responsável por uma doença cardíaca mortal hereditária que afeta uma a cada 500 pessoas. Eles usaram a técnica da edição genética”, divulga o texto da BBC.
A doença em questão é a miocardiopatia hipertrófica, que pode fazer o coração parar de bater, levando o paciente a uma morte súbita. Causada por um erro em um único gene, a condição foi revertida durante a concepção do embrião na fertilização in vitro. O feito aconteceu na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e foi descrito como uma “cirurgia química”.
O sucesso no procedimento garante a continuidade de pesquisas semelhantes que poderiam levar à cura de 10 mil distúrbios genéticos similares.

5. Sete planetas como o nosso

NASA/JPL-Caltech

Planetas orbitam estrela fria e de pouca massa na constelação de Aquário

Em fevereiro, cientistas relataram a descoberta de um sistema planetário com sete planetas de tamanho similar ao da Terra. Todos orbitavam uma estrela chamada de TRAPPIST-1, que fica a 41 anos-luz do Sol.
Foi a primeira vez que os astrônomos encontraram uma situação tão parecida com a nossa.
A descoberta sugere que a Via Láctea está, na realidade, repleta de corpos celestes que se parecem, em tamanho e relevo, ao nosso mundo rochoso.
“Três dos planetas da TRAPPIST-1 estão na chamada zona habitável, órbitas relativamente temperadas onde a água pode permanecer líquida na superfície. Estes são alguns dos planetas mais interessantes para serem explorados nos próximos anos. Se pode haver água, pode haver alguma chance de vida”, explica a nota.

6. Um novo membro da família

Philipp Gunz/ MPI EVA Leipzig

Homo Sapiens teria surgido cerca de 100 mil anos antes do que se pensava segundo nova descoberta

Temos mais um primo! Em julho, pesquisadores apresentaram fósseis de cinco humanos pré-históricos encontrados no norte da África. Estudando os achados, eles defendem que a nossa espécie, o Homo sapiens, teria surgido ao menos 100 mil anos antes do que se acreditava.
Além disso, não teríamos nos desenvolvido em uma única região no leste africano. Os humanos modernos poderiam estar evoluindo na mesma direção em todo o continente.

Também em 2017, pesquisadores da equipe de Lee Berger provaram que os restos de 15 esqueletos encontrados em 2015 e atribuídos a uma nova espécie, o Homo naledi, tinha na verdade entre 200 mil e 300 mil anos.

Na época do descobrimento, achava-se que os fósseis pudessem ter até 3 milhões de anos de idade. A datação da espécie mostra que o naledi não foi um ancestral do Homo sapiens, mas pode ter convivido com nossos tataravós.

7. O visitante interestelar

ESO/ M. Kornmesser

O asteroide Oumuamua é um dos objetos mais longos já observados pelos cientistas

Os cientistas já sabiam e já tinham avisado todo mundo que, em algum momento, seríamos visitados por um asteroide interestelar. Mas foi neste ano que, finalmente, avistaram um.
“Descoberto por uma equipe de cientistas usando o telescópio havaiano Pan-Starrs em outubro, o objeto foi batizado de “Oumuamua”, que significa “mensageiro de longe que chega primeiro” na língua local”, informa a BBC. A velocidade e trajetória do astro foram os primeiros indicativos de que ele vinha de fora do nosso Sistema Solar.
Oumuamua não é apenas estrangeiro, é também um dos corpos celestes mais longos que já se viu. Seu formato lembra um charuto e lembra objetos gelados do nosso próprio sistema solar, que estão cobertos por uma camada seca.