As águas de março vêm chegando para fechar o verão, provocar alagamentos e, via de regra, a queda de partes ou de árvores inteiras. Tentando se antecipar a esses episódios bem típicos dessa época do ano, a empresa Propark desenvolveu um software para monitorar a vegetação urbana.

A Plataforma se chama Arbolink “e poderá ser usada por prefeituras, concessionárias elétricas e de telecomunicação, seguradoras, alem dos demais interessados em manejar com segurança o patrimônio arbóreo existente nas áreas urbanas, como clubes, golfe, hotéis, industrias, etc”, explica o engenheiro agrônomo Marcelo Machado Leão, professor e pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, SP e um dos coordenadores do projeto. O outro é o sócio José Flávio Machado Leão, também engenheiro agrônomo e também pesquisador da Esalq,

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Árvore caída provoca danos em Porto Alegre, RS

A primeira etapa do Arbolink foi o desenvolvimento de um software para mapeamento e avaliação do risco de queda de árvores e de suas partes, como ramos e galhos, que poderiam causar danos, prejuízo e até causar graves acidentes. Nessa etapa, o programa deverá contar com uma versão desktop e outra mobile. “A primeira serve para mapear e plenejar as atividades relacionadas aos cuidados com a vegetação. A segunda, mais portátil, acompanha e registra a inspeção e o manejo propriamente dito, com podas, desbastes, controle de pragas e doenças, etc”, conta o pesquisador.

Para desenvolver o software, a equipe da Propark comparou experiências similares adotadas em outros países. Depois, trouxe os protocolos mais apropriados na visão dos pesquisadores e aplicou à realidade brasileira. “Avaliamos as condições brasileiras de arborização urbana das cidades paulistas, desde os requisitos legais, até as diferentes formas de gestão e operação das atividades relacionadas ao manejo arbóreo”, define.

Foi então que encontraram o maior empecilho para um cuidado, um planejamento e uma gestão eficiente da vegetação. Por aqui, os critérios usados para definir o que fazer com cada árvore são, por assim dizer, subjetivos. Não obedecem um guia rígido e pautado em ciência e evidências.

Neste ponto, os Machado Leão viram que podiam contribuir e mudar o rumo dessa prosa. “A ideia do programa é exatamente retirar a subjetividade no sistema de avaliação de risco envolvendo a vegetação de porte arbóreo nas áreas urbanas” Por que isso é importante, professor? “Porque trabalhar com dados e ações objetivas pode reduzir ou mitigar eventuais riscos de acidentes, otimizar e reduzir custos nas operações de manejo e garantir para a população urbana um ambiente mais agradável, estético e ecologicamente equilibrado com maior presença de árvores nas cidades”, assegura Marcelo.

Segundo os pesquisadores, a aplicação dos critérios propostos pelo Arbolink, quando levado a cabo e à risca, garantiria ainda a avaliação dos chamados serviços ambientais realizados pelas árvores (sequestro de carbono, qualidade do ar, conforto térmico, diminuição das ilhas de calor), e a melhoria nos índices de arborização, indicação de áreas prioritárias para plantio, programas educacionais, além de fomentar a cultura a arborização das cidades.

Atualmente, o projeto já possui um protótipo, que está em fase de testes. A versão comercializável do Arbolink está em desenvolvimento e deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2018. Os dois Machado Leão, Marcelo e Flavio comemoram porque já há interessados em comprar e usar o software antes que as águas caiam do céu e as árvores, mais uma vez, virem “resto de toco, um pouco sozinho”.